Enviado Por:Joyce Nagoshi

Surpreeesaaaa!

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Olá Guga, Rafa, Caio, Bia e todos os outros possíveis convidados. Meu nome é Joyce e sou assinante da bolha. Pode manter meu nome mas peço que mudem os nomes dos outros personagens.
A história que vou contar pode ser pra dia dos pais, histórias de surpresas, histórias de família. Ou pode ser no tema carro, porque parte da história se passa em um e o Rafael pode achar que se encaixa.

Meus pais (Betty Boop, minha mãe, e Popeye) se casaram no final dos anos 70 e em 81 eu nasci (RAFAEL, o que mais aconteceu em agosto de 1981?). Foi um casamento com muitos altos e baixos, principalmente por razões financeiras. Lembro de épocas de abundância com viagens, carro novo e qualquer brinquedo que eu quisesse até dias de correria pra não cortarem a energia por falta de pagamento, muitas conversas com o dono do imóvel que a gente morava por atraso do aluguel, negociações infinitas com a minha escola particular. Em algum momento, não houve ponto de retorno. Vi o casamento deles ir definhando aos poucos.

E, ao mesmo tempo, vi meu pai se distanciar de mim conforme eu crescia. Os japoneses não são conhecidos por serem carinhosos, amorosos e acolhedores. Quando criança, tenho muitas recordações dele brincando comigo, me lembro de que minha primeira ida ao cinema ter sido com ele pra ver “Fievel, Um Conto Americano”, de ser meu cliente dos meus restaurantes de mentirinha. Mas cresci e acho que ele não soube como lidar comigo, ainda mais que fui uma adolescente bem difícil, deprimida, que só queria ouvir rock em volume alto. Mas nesse mesmo período comecei a me interessar por futebol e torcer pro São Paulo, justamente por ele. Era uma forma de nos conectarmos e a gente conversava bastante de futebol, assistíamos aos jogos e vimos os 2 Mundiais conquistados pelo Tricolor nos anos 90.

Mas algo quebrou nesse período e não houve retorno. Lembro de várias vezes esperar ele chegar do serviço pra conversarmos sobre a falta que eu sentia dele, que ele basicamente só me cobrava notas boas (e eu era excelente aluna, mas quando tirava 8, perguntava por que não fui melhor e quando tirava 10, ouvia o famoso e odioso “não fez mais que sua obrigação”).

Fiz faculdade no interior do Paraná, o que me fez sair de casa e o casamento dos meus pais degringolar de vez. Minha mãe se mudou para o meu quarto e eles passaram a só dividir as contas, basicamente, pois nem conversavam mais. Meu pai saiu de casa após meu retorno, em 2007, consolidando a enfim separação.

Aqui saltamos no tempo e vamos para 2017. Estou morando com uma amiga em São Paulo, meu pai, depois de 10 anos morando também na capital, está com a minha vó, que na época tinha 96 anos e precisava de apoio, pois a memória já não andava aquelas coisas. Nesse tempo, nossa relação não melhorou. Chegamos a ficar 2 anos sem nos ver (e não foi por falta de esforço meu pois tentei marcar com ele diversas vezes).

Um belo dia, numa véspera de feriado, ele me pergunta se estarei pela cidade e digo que sim. Ele pede pra conversar comigo pessoalmente. Que me pegaria na casa da minha mãe e me levaria pra tomar um café pois precisava conversar comigo e não queria que minha vó ouvisse. Num primeiro momento, fiquei bem preocupada pois achei que podia se tratar de algo relacionado à saúde. Disse que tudo bem, que quando eu estivesse na cidade eu ligaria pra ele. Mas esse café não aconteceu. Tentamos marcar mais duas vezes naquela semana, mas também nos desencontramos. Em uma terça chuvosa, ele me mandou mensagem perguntando onde estaria trabalhando naquele dia. Disse que estava pelo Tatuapé. Ele perguntou se ele podia me dar uma carona pra casa e a gente conversava no caminho. Topei. Quando me pegou no trabalho, ficou me enrolando, dando voltas no assunto. Eu já estava aflita, pois achava que ele podia estar doente ou qualquer coisa assim. Fui direta:

– Pai, vai. fala logo! O que tá acontecendo? Eu já fiz vários cenários na cabeça…

– O que você imaginou?

– Primeira coisa é que você tá doente…

–  Não, isso tá tudo bem!

– Bom, se não é isso… Ou você ganhou na Mega-Sena ou eu vou ganhar um irmão – Nesse momento ele riu.

– Acertei, né? E tenho certeza que não é a Mega-Sena – Ele nunca me apresentou ninguém, mas também duvidei que ele tivesse ficado sozinho nesses 10 anos.

– Então… (sempre precede a merda)…. Você quase acertou.

– Quase quanto?

– Não é um irmão. São dois.

– QUÊ???? COMO ASSIM PAI?

– Eu tenho dois filhos. A Isabela de 9 anos e o Felipe de 7.

– Pai, eu tava imaginando que sua namorada tava grávida… Como assim eu tenho dois irmãos grandes assim???

– Pois é… Eu comecei a me relacionar com a Fabi depois que sai de casa e logo ela teve a Isa.

– PAI!!! Como assim??? Por que você não contou antes???

– É que eu estava esperando a hora certa.

– A hora certa foi quando ela ficou grávida da primeira vez, né? (pensa em alguém sem timing. meu pai)

– É… E depois veio o Felipe. Ele lembra você pequena (ele é a MINHA cara, igual!)

– Pai, por que decidiu me contar isso AGORA?

– Porque eu me separei da Fabi de vez agora.

– E se isso não tivesse acontecido você não ia contar nunca? A gente ia descobrir a existência dos dois no seu velório?

– É, talvez.

– PAI!

E foi assim, senhores, que aos 36 anos de filha única ganhei, de uma vez, 2 irmãos. Meu pai contou ao restante da família coisa de um mês depois, incluindo minha vó. Todos ficaram bem surpresos e as crianças foram super bem recebidas. Começaram a passar o fim de semana com meu pai no sítio da minha vó, o que era uma libertação pra duas crianças de apartamento de São Paulo, correndo e brincando, subindo em árvore, conhecendo as galinhas e como galo é bravo, vendo tucano comer mamão no pé.

Obrigada por ler minha história e desculpa pelo e-mail imenso. Espero que gostem da história.
Obrigada pelo podcast. Beijo a todos!

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