Enviado Por:Rodrigo

Os Garotos

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Olá Guga, Rafael e convidados! Estou enviando uma história de como perdi duas, isso mesmo, duas amizades por ter cedido à tentação de namorar a ex de um grande amigo meu!

Os nomes foram alterados para personagens do seriado The Boys, da Amazon, mas podem mudar se quiserem!

Pois bem… Não consigo precisar o ano exato em que isso aconteceu… Meu palpite é que foi em meados de 1999. Nessa época eu andava muito com dois irmãos descendentes de portugueses. Capitão Pátria e Profundo eram seus nomes. O pai deles, o Senhor Vought, como um bom português bigodudo, era um empresário do ramo da panificação, e por assim ser, passava muito do dia fora de casa. Quando voltava já estava cansado e trazia consigo sempre uma ou duas garrafas de vinho para beber e relaxar.

Pois bem, eu e o irmãos passamos muito tempo juntos, tivemos nossos primeiros porres juntos, e nossas primeiras experiências amorosas foram com as gurias que fomos conhecendo juntos! O Capitão Pátria era um ou dois anos mais velho que eu e Profundo; então ele acabou virando o “líder” natural desse bando de lobos adolescentes cheios de hormônios e desejos pelo sexo oposto. Ele já tinha seu carro, imagine! Um Pátriamóvel ao nosso dispor! Eu estava fazendo estágio na época, então tinha um pouco de dinheiro! E todos tínhamos a vontade de explorar! E lá fomos!

Conhecemos muitas pessoas nesse meio-tempo! Alguns ainda sei por onde andam, outros sumiram em meio às batalhas! Mas numa das nossas idas na famosa “6a feira rock da 360 Graus” conhecemos ela… Maeve. A vida no fim dos anos 90 era muito semelhante para os jovens curitibanos, os padrões se repetiam! Capitão Pátria olhou pra mim e falou: A-Train! Corre lá e fala praquela guria que eu tô afim dela! Eu ainda estava desenvolvendo esse esclerênquima da minha cara! Era um neófito, mas já começava a me tornar um cara de pau. Lá fui eu! Mas para ajudar na missão levei comigo o Profundo que estava sóbrio e de bobeira! Com esse exército de dois o que poderia dar errado?? A Maeve estava com uma amiga, a Elena… Ambas riram quando fiz as apresentações e direcionei a atenção de Maeve para o Capitão Pátria, que tinha ficado uns 10 metros distante. Acenei para que ele se juntasse a nós naquele colóquio juvenil sobre coisa nenhuma e eu e Profundo nos retiramos de cena…

Observamos os dois conversando por um tempo e nisso Elena também deu um despiste, por entender que a atenção do Capitão estava toda na Maeve. Eu e Profundo fomos pegar cervejas, e enquanto esperávamos ele olhou pra mim e disse: Fiquei com a impressão de que a Maeve queria era ficar com você, Trem… Fiquei intrigado… Pensei: “será…?” Mas a noite rolou, eles ficaram juntos a noite toda. Demos um pouco de privacidade para os pombinhos, mas depois de um tempo ficamos todos conversando. Elas falaram que precisavam ir embora, então decidimos todos ir, já que o Capitão as levaria para casa. Em ordem, deixamos o Profundo, depois fiquei eu, depois Elena, e o Capitão ficou mais um pouco com a Maeve.

É a manhã do dia seguinte. Acordo e penso no que teria acontecido naquela noite, se o Capitão e Maeve teriam passado o restante da noite juntos. À tarde resolvo ir ao covil dos 7, heheh, encontrar meus amigos. Para minha surpresa quem estava lá? Além das conhecidas figuras, ela… Maeve! Muito animada por agora fazer parte daquele bando! Realmente, ela trouxe um brilho diferente pra todos! E foi assim por bons meses! Até que um dia, Maeve e Capitão Pátria brigaram feio… Algum motivo fútil que ganhou mais intensidade do que merecia e Maeve foi embora, batendo a porta. O Capitão nem se mexeu, ficando sentado no sofá em que estava. Eu e Profundo nos olhamos, e fomos atrás de Maeve. A acompanhamos até o ponto de ônibus e ficamos a ouvindo extravasar a raiva. Quando a lotação chegou, nos despedimos e voltamos para a base. Capitão permanecia no sofá, uma nova lata da cerveja V aberta, um clipe do Ozzy Osbourne na TV, e um olhar perdido no rosto. O restante do dia foi monótono. E os dias que se seguiram também. Aquele brilho que a Maeve trouxe nos viciou e agora fazia falta.

Uma noite o Capitão decidiu que tomaria uma atitude. Escreveu uma carta contando tudo o que sentia e pensava, e pediu que eu a entregasse a Maeve. Aceitei a missão de bom grado, pois queria muito que Maeve voltasse ao grupo! Ela fazia falta! Pulamos no Pátriamóvel e lá fomos nós para o esconderijo de Maeve. O Capitão me deixou com instruções claras de entrar, entregar a carta nas mãos de Maeve e sair sem demoras. Não preciso dizer que aconteceu totalmente diferente do programado…

Entrei na casa de Maeve, ela sorriu ao me ver, me abraçou e me levou ao seu quarto. Falei que o Capitão havia lhe escrito uma carta, a peguei do bolso, meio amassada, e a entreguei. Fiquei olhando para o rosto dela enquanto ela lia a carta… Maeve era linda! Seu rosto era harmonioso, nariz arrebitado, bochechas levemente coradas, lábios pequenos, e tudo emoldurado por cabelos castanhos compridos, levemente ondulados. A admirei em silêncio até que lágrimas escorreram de seu rosto. Ela fechou a carta e olhou para mim… Eu queria me levantar e ir embora, mas simplesmente não conseguia… Ela pegou nas minhas mãos e desatou a falar como estava infeliz ao lado do Capitão… Disse que não sentia carinho, que não era amada… E perguntou se um dia seria digna disso. Na minha cabeça um alarme estava disparando… O que era esse tom? Ao mesmo tempo sentia meu coração bater mais forte, enquanto olhava para aqueles olhos amendoados… Voltei a mim subitamente quando ouvi uma buzina! Eu tinha esquecido completamente que o Capitão Pátria estava me esperando no carro! Perdi totalmente a noção do tempo! Vendo o espanto em meus olhos, Maeve se levantou, pegou um papel, anotou seu telefone e me deu. Pediu que eu anotasse o meu em outro papel e ficou para si. Me despedi e corri o quão rápido pude para o carro. Capitão Pátria estava furioso! Aos berros queria saber tudo o que tinha acontecido lá dentro… Ele arrancou o carro cantando pneus enquanto esbravejava: “qual foi o combinado?” Contei a ele tudo o que aconteceu… Menos a troca de telefones.

Outros dias se passaram e as coisas pareciam a normalizar… Menos entre capitão e Maeve. Aos poucos íamos acostumando com a ausência dela… Eis que uma tarde o telefone da minha casa toca… Era Maeve. Ela queria muito conversar, e perguntou se poderíamos ir a algum lugar. Sugeri um shopping, ela aprovou a ideia e lá fomos nós. Conversamos muito, rimos muito, e começamos a achar que tinha algo ali… Em algum momento, sem que houvesse um contexto, eu simplesmente segurei a mão de Maeve, olhei para seus olhos e me aproximei de seu rosto. Seus olhos fecharam e seus lábios se abriram levemente em aprovação. Nos beijamos e assim começou o que nunca deveria ter começado…

Esse namoro estava indo muito bem, e resolvi contar ao Capitão o que tinha acontecido… Da ligação, da nossa ida ao shopping, e das tantas outras vezes que nos vimos. Ele aparentemente não se importava com a situação e até me estimulava a ficar com ela… Até sugeriu que ela começasse a frequentar a base novamente. Conversei com ela na época sobre isso, porém achamos melhor que não acontecesse.

Passaram-se meses, até que bruscamente Maeve decidiu que não daríamos certo… Ela me disse palavras que soaram como ecos distantes ininteligíveis que eu apenas aceitei… Na verdade estava passando menos tempo do que eu gostaria com meus amigos e vi uma possibilidade de voltar com tudo para nossas aventuras! Nos demos um abraço e fui embora.

As coisas estavam definitivamente no lugar que queríamos! Música alta, bebida, porres, risos, mais bebida e mais música! Os dias passavam e estávamos plenos! Uma ou outra farra aqui e ali, e pronto! E uma bela tarde em que eu e Profundo começávamos os trabalhos com mais dois amigos, o Capitão Pátria chegou… E com ele, ninguém menos… Maeve. Ficamos boquiabertos! Foi assustador. Ela olhou para mim com indiferença e baixou os olhos. O Capitão chamou o Profundo para conversar reservadamente. Eu me sentia estranho, pairava um silêncio perturbador no ar, apesar da música alta e das vozes da casa… Parecia que um trovão estava prestes a explodir. E explodiu. Quando o Profundo voltou, sua expressão era perturbadoramente séria. Ele estava meio pálido pelo que me lembro. Pediu que eu fosse com ele até o portão da casa deles… Me olhou e falou “Trem… O capitão não quer mais você conosco… Sinto muito, mas você precisa ir”.

Eu fiquei sem palavras. Era sério aquilo? Eu estava sendo expulso do grupo? Depois de tudo o que passamos juntos? Toda história? Tudo pela Maeve? Ou pelo Capitão? Questionei Profundo, o que ele achava daquilo, mas ele disse o que eu já imaginava… O Capitão nunca havia esquecido a Maeve, toda a cena que ele havia feito me incentivando a ficar com ela era apenas isso… Cena! Profundo não poderia tomar partido, pois eu conhecia o Capitão e sabia do que ele era capaz… Profundo mal me olhava nos olhos, se despediu sem graça e entrou em casa. Olhei atônito sem entender direito o que havia acontecido… Me virei, e fui embora. Não lembro se trovejou, mas naquele momento poderia ter caído uma tempestade e eu seria grato.

Minha vida seguiu seu rumo. Novos amigos, novos amores… Passou muito tempo e algum amigo em comum me falou que Capitão e Maeve iriam se casar. Ao menos ficaram juntos, pensei. E nunca mais ouvi falar deles, nem de Profundo. A culpa disso tudo é uma mescla, cada um com sua porção. Não há inocentes. Nenhuma amizade vale um romance, por mais duradouro que seja.

E assim foi!

Guga e Rafa, quero desejar tudo de bom para vocês! Ouvir o Gugacast me transporta para as histórias que vocês contam! Me sinto como numa roda de amigos, falando rindo e curtindo! Sucesso sempre!! Grande abraço!

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