Enviado Por:Francini Carvalho

Londres, Londres

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Olá Guga, Rafa e convidado!

Estou enviando essa história para o episódio sobre aventuras, mas acho que pode se encaixar em outros temas também, e espero muuuito que seja lida em algum programa!

A aventura em questão aconteceu durante a minha primeira viagem para o exterior, quando fiz um mochilão pela Europa entre as últimas semanas de 2014 e primeiras de 2015, aproveitando a oportunidade para passar o ano novo em Londres.

Eu estava viajando com mais dois amigos brasileiros, a Marquinhas e o Cleiton. Chegamos em Londres tarde da noite no dia 30 de dezembro, vindos de Amsterdam, porém cada um de nós iria para um lugar diferente: a Marquinhas na época morava em Londres porém numa casa alugada e dividida com outras pessoas onde não poderia receber visitas, então o Cleiton e eu pegamos um hostel, mas como fizemos as reservas em datas diferentes não conseguimos ficar no mesmo lugar, e inclusive ficamos em bairros relativamente distantes um do outro.

Devia ser por volta de meia noite quando cheguei na estação próxima ao meu hostel, e na verdade aquela era a primeira vez, desde o meu desembarque no Velho Continente, que eu teria de me virar sozinha na Europa. Devido ao horário a estação estava bem vazia, não me lembro de ter visto mais ninguém além dos próprios funcionários, então pedi ajuda a um senhor que lá estava para saber como chegar ao meu hostel. Ele foi muito simpático e minha boa impressão a respeito das pessoas que vivem Londres começou aí, o homem me explicou e deu um mapa com os locais indicando como chegar, foi bem legal. Saí então da estação, na companhia apenas das minhas malas, e fui caminhando pelas ruas escuras e desertas. Vez ou outra via pessoas transitando e não sabia se aquilo era bom ou ruim, mas eu estava morrendo de medo: estava sozinha, em uma grande cidade em outro país, à noite, cheia de malas e sem nenhuma forma de me comunicar com os outros, visto que eu estava sem celular nessa parte da viagem – explicando rapidamente o ocorrido, dias antes eu havia derrubado o aparelho dentro do vaso sanitário de um bar em Berlim e, mesmo criando coragem para mergulhar minhas pobres mãos nas águas nada puras do vaso para recuperá-lo, o estrago já estava feito e ele não ligou mais daquele dia em diante, garantindo que eu passasse ao menos uns 70% da viagem sem celular.

Quando identifiquei o local, vi que tinha uma menina parada na porta. Então, no meu extremo otimismo e pela experiência adquirida dos hostels anteriores, pensei que poderia ser uma funcionária que estivesse ali em pé na porta, mas ao me aproximar verifiquei que não era bem assim: havia um bilhete na campainha dizendo que a portaria só funcionava até as 23h, e quem chegasse depois disso sem a chave deveria ligar em um número que estava no bilhete. A menina estava ali parada pois se encontrava na mesma situação que eu: acabara de chegar e não tinha como entrar. Comecei a conversar com ela, mas ela logo me avisou que não falava inglês, então pela primeira vez na vida pude exercitar, de verdade, o espanhol que estudara pelos últimos anos, o que a princípio me deixou até um pouco empolgada, mas durou pouco mesmo. Ela me contou que era do México e se chamava Luna, havia acabado de chegar e também não tinha um celular que pudesse usar para ligar no tal número. Que ótimo, éramos duas meninas estrangeiras incomunicáveis sem teto em Londres naquele momento!

Sugeri que fôssemos procurar algum estabelecimento comercial que nos permitisse utilizar o telefone, e a busca foi totalmente aleatória porque nenhuma de nós conhecia a região. Saímos em uma avenida que parecia mais movimentada e tinha um restaurante com uns letreiros coloridos piscando, porém ele já estava fechando naquele momento. Explicamos ao senhor que estava na porta o que acontecia, e ele indicou uma rua, um pouco mais à frente, que deveria ter outros estabelecimentos abertos até mais tarde. Fomos andando até a rua e me lembro perfeitamente da cena: na esquina, havia uma espécie de casa de câmbio que ainda estava aberta e havia apenas um homem lá dentro, com cara de poucos amigos. Íamos entrar lá mesmo para tentar usar o telefone, mas avistei uma KFC um pouco mais à frente e achei melhor irmos até lá pedir ajuda, pois me pareceu que seríamos melhor acolhidas, e não sei como teria sido na casa de câmbio mas a KFC não decepcionou.

Assim que terminaram de atender um cliente, me aproximei do balcão e expliquei o que se passava. O rapaz com quem falei foi extremamente gentil e me emprestou um celular, então fiz a ligação e falei com um senhor muito mal educado que já de cara foi rude, afirmando que estava explícito que a recepção só funcionava até as 23h. Contei o que ocorrera e ele explicou, grosseiramente, que havia escondido 3 chaves, a minha e de mais dois hóspedes atrasados, embaixo de algum objeto que estava do lado esquerdo ao pé de uma escada que eu deveria descer, que dava no porão. Não entendi nada: eu estava do lado de fora, como desceria uma escada para o porão? Ele me explicava e eu não entendia, ele percebia isso e perguntava o que eu não estava entendendo. A questão é que para mim nada daquilo estava fazendo sentido e o homem cada vez mais estúpido e gritando, só faltou me chamar de burra. Foram alguns minutos no telefone, totalmente desagradáveis, e ao final eu ainda estava em dúvida se acharíamos mesmo as tais chaves que ele escondeu.

Voltamos então até a porta do hostel e, ao chegar lá, entendi tudo que o homem grosseiro estava me explicando ao telefone: aqueles prédios mais antigos, todos eles, possuíam uma escadaria que dava da calçada para o porão. Era disso que o homem falava e eu não entendia. Encontrei um regador bem em frente à porta, e, embaixo dele, 3 envelopes com nomes contendo as tão esperadas chaves.

Entramos no lugar e eu não me lembrava, mas aquele hostel não possuía elevador. Precisei subir um lance de escadas só, pelo menos, para chegar até o meu quarto que era compartilhado entre 5 meninas e não tinha banheiro exclusivo. Quando cheguei foi bem estranho: o lugar de cara não me agradou, era bem velho, e entrei no quarto escuro sem conseguir saber onde seria minha cama, quantas pessoas tinha lá, como era a cara do quarto… Era uma situação bem estranha mesmo. Já devia ser mais de 2 horas da manhã àquela altura, eu não tinha como saber ao certo pois estava sem nenhuma maneira de consultar o horário. Acendi a luz rapidamente só para conseguir achar minha cama e pelo menos saber a cara do lugar onde eu passaria as próximas 5 noites. Das 5 camas, acho que só a minha estava vaga. Não gostei muito do que vi. A cama era desconfortável e o lugar parecia sujo, não sei, era como se eu não fosse conseguir dormir direito ali.

Era uma situação meio surreal pra mim: estava sozinha em outro país, num hostel onde não conhecia ninguém e não tinha nenhuma forma de me comunicar com outras pessoas, ou sequer saber que horas eram. Foi essa a sensação que eu tive ao acordar no dia seguinte. A mulher que estava na cama do meu lado ainda dormia, e tinha um “dumbphone” na cabeceira, e foi tentando espiar a tela daquele pequeno Samsung que eu descobri as horas.

Depois do café voltei para o quarto e estava falando com as outras meninas de lá quando o telefone do quarto tocou. Atendi, e era o Cleiton! Assustei com a ligação, mas era só para saber se eu estava bem, pois eles não tinham tido contato comigo desde que me deixaram na estação e nem ao menos sabiam se eu havia chegado no hostel. Marcamos de nos encontrar no Madame Tussauds para cumprir a agenda do dia e assim o fizemos.

Esse nosso primeiro dia como turistas em Londres era também o último dia do ano, e passaríamos a noite de Réveillon no pub onde minha amiga trabalhava na época. Seria uma festa temática, o tema era baile de formatura, o famoso “prom”, então, teoricamente, todos deveriam ir vestidos assim. Mas eu estava com uma roupa normal das que usava na viagem (já que não fui pra viagem muito preparada para festas temáticas) e o Cleiton de xadrez. Me arrumei na casa da Marquinhas, depois de bater perna o dia inteiro (pois isso era permitido), e de lá fomos direto pro pub.

A noite foi super animada, lembro das pessoas se abraçando, estranhos que nunca mais verei me dando “feliz Ano Novo” e eu retribuía a todos eles. Eu via aquela alegria toda e não tinha nenhuma cena parecida com a qual comparar aquilo, aquelas pessoas estavam muito felizes ali! Não vimos fogos, nem as luzes da London Eye ou as badaladas do Big Ben… E mesmo assim foi perfeito, como tinha que ser.

Depois de um tempo, o Cleiton e eu já estávamos muito cansados e morrendo de sono, então resolvemos encerrar as festividades de ano novo e partir cada um para seu hostel. Peguei minhas coisas, uma mochila e uma sacola de roupas que a Marquinhas tinha lavado pra mim, e fui para o ponto onde passaria o ônibus que eu ia pegar, que era bem em frente ao pub. O do Cleiton passou após poucos minutos de espera, mas o meu demorou o que pareceu um absurdo, devo ter ficado uns 40 minutos esperando. Estava sem relógio mas o frio congelante que fazia, e o fato de o pub ter esvaziado e praticamente fechado as portas desde que saí me induziam a pensar num intervalo próximo disso ali esperando.

Eventualmente o ônibus apareceu, eu desci um pouco mais longe do que precisava, mas lá estava eu na primeira madrugada do ano, caminhando pelas ruas de Londres carregando a minha sacola e de mochila nas costas pelo bairro do hostel. Me perdi um pouco na região, os prédios eram todos parecidos e eu me confundia sobre onde teria que virar, entrava errado, voltava, perdi mais tempo do que seria necessário só para chegar na porta do local. Mas pelo menos dessa vez eu teria a chave e entraria sem problemas! Bom, era o que eu pensava pelo menos… Quando cheguei nos degraus para a porta, já fui pegando a chave na minha mochila e dando graças a Deus que hoje eu a tinha… Porém, o celular com 1% de bateria se fez presente, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que simplesmente não conseguia abrir a porta com aquela chave. Pensei “de novo não!” e lá estava eu, pela segunda noite seguida, do lado de fora daquela porta. Eram 2 chaves no chaveiro e tentava ambas exaustivamente, mas na noite anterior, a mexicana havia destrancado a porta com a chave dela, então percebi que eu nem sequer sabia se a minha funcionava…

Novamente estava eu sozinha, trancada pra fora e incomunicável. Já devia passar das 4 da manhã eu suponho. Achei inviável tentar ir pra casa da Marquinhas, nem sabia chegar sozinha e não saberia se ela já estava lá. Tentei bater na porta pra ver se alguém me ouvia, sem sucesso. Poxa, era noite de Réveillon! Ninguém mais além de mim ainda estava na rua aquela hora? Essas pessoas não se divertiam, iam todas dormir cedo? Não dava pra acreditar no que estava acontecendo. Eu estava entregue à sorte, minha única alternativa parecia ser esperar que alguém ainda aparecesse aquela noite para entrar, ou esperar amanhecer ali sentada nos degraus. A segunda opção me parecia mais real naquele momento. E foi o que fiz: sentei num degrau e comecei a chorar desejando não ter ido para lá, e hoje vejo o quanto eu deveria estar desesperada para ter desejado isso. Me lamentava por ter sacrificado tantas coisas por aquela viagem que eu tanto esperei, para no fim das contas terminar a noite do Réveillon sentada sozinha numa escada, presa do lado de fora do lugar que eu paguei para ficar. Pensava que eu queria voltar embora, que se fosse possível pegaria um avião de volta para o Brasil na manhã seguinte. Londres parecia me odiar, e eu ainda teria que ficar mais 2 dias lá, isso estava me soando tão horrível naquele momento, que eu estava decepcionada com a viagem, com a vida, com tudo à minha volta… E percebi que passar uma noite inteira ali sentada chorando ia levar uma eternidade.

De vez em quando passava alguém na rua e eu pensei em pedir ajuda pra alguma daquelas pessoas, mas como saber se é seguro fazer isso? Aqui no Brasil certamente eu não faria. Mas naquela situação, seria pior pedir a ajuda de um estranho ou passar a noite sozinha na rua? Uma noite de Réveillon ainda? Resolvi escolher alguém que seria o premiado para quem eu pediria ajuda, então fiquei analisando as pessoas. Fui até o final da rua e voltei pra trás 2 vezes pensando se deveria falar com um grupo que estava ali perto. Achei melhor não, eles estavam carregando o carro provavelmente para viajar, estariam com pressa e não poderiam perder muito tempo me ajudando. Voltei pra porta do hostel e fiquei esperando mais alguém aparecer, e foi então que vi um rapaz caminhando do outro lado da rua, sozinho. Caminhava apressado, não parecia estar bêbado mas eu não tinha como ter certeza também. Escolhi ele. Atravessei a rua correndo em sua direção, quando ele parou já expliquei que eu estava trancada pra fora e se ele poderia fazer algo para me ajudar. Me lembro dele ter dito várias vezes para eu ficar calma, atravessamos a rua em direção à porta e então ele perguntou, com seu sotaque britânico, se eu tinha certeza que era naquele hostel mesmo que eu estava. Eu disse que sim, que já havia passado a noite anterior lá mas não estava conseguindo abrir. E o cara tentou abrir a porta também, sem sucesso. Pegou seu celular para checar uma notificação, e disse que teria que ir até sua casa mas que em 5 minutos estaria de volta para me ajudar, pois morava logo ali na frente. Eu achei que ele estava dizendo aquilo apenas para se livrar de mim, pois quem quer que uma estrangeira doida apareça no meio do seu caminho na madrugada do Réveillon, dizendo que está trancada pra fora do hotel e pedindo ajuda?

Então ele foi pra casa, que eu nem sabia se era mesmo a casa dele, e eu fiquei ali debruçada no balaústre da entrada, observando atentamente a direção em que ele foi e torcendo para que voltasse. Como a passagem do tempo acontece muito mais devagar quando você está nessa situação, parecia que já haviam-se ido muito mais que 20 minutos e imaginei que o cara havia me abandonado ali afinal. Porém, em um dado momento, o vi caminhando na minha direção e mesmo sem saber o que ele faria, me senti aliviada porque afinal eu não estava abandonada.
Ele então pegou a chave novamente e a inseriu na porta, girou na fechadura enquanto puxava na altura na maçaneta e empurrava a parte inferior com o pé, ou o contrário, não sei ao certo, mas seja lá o que for funcionou e a porta abriu! Senti uma alegria tão grande que não sabia quais palavras dizer para agradecer o homem, achei que seria estranho dar um abraço porque estrangeiros podem não gostar disso, mas disse a ele que estava muito grata. Ele sorriu e disse que agora eu já sabia como tinha que fazer para abrir na próxima. Então puxou-a e a trancou novamente para demonstrar. Nesse momento eu pensei que aquilo tudo que ele tinha feito era só uma encenação para me enganar e agora que eu estava presa pra fora de novo, fazer alguma coisa comigo (na verdade esse pensamento até já havia passado pela minha cabeça antes mas tinha ficado mais forte agora). Ele tentou abrir novamente pra me mostrar como deveria fazer e não conseguia. A porta não abria, e ele dava umas risadinhas que eu não estava entendendo se era tipo uma pegadinha ou se realmente era preocupação por não estar conseguindo mais abrir. O desespero estava voltando, mas ele conseguiu abrir de novo, e de novo meu coração quase saltou pela boca porque enfim eu não estava sendo enganada. Imediatamente me posicionei entre a porta e o batente, para impedir que ela fosse fechada novamente. Fiz menção de entrar de vez, ele me desejou feliz Ano Novo e foi assim que conheci a primeira pessoa do ano em 2015: um legítimo gentleman inglês.
Quando entrei, aparentemente eu era a única pessoa que ainda estava na rua, entre as hóspedes do meu quarto. O pessoal dali não parecia ser de sair muito.

Mais uns dois dias se passaram sem muitos contratempos, o Cleiton foi embora, e logo eu iria também. Na minha última noite em Londres, havia combinado com a Marquinhas de irmos a um pub, onde me despediria da cidade, mas tive que passar no meu hostel antes para fechar a conta por lá pois ela conseguiu dar um jeito de eu passar a última noite na casa dela (e assim evitar que eu me trancasse pra fora do hostel de novo). Eu já estivera lá antes, mas claro que erraria alguma coisa para voltar, não é? Era apenas um ônibus que eu peguei para chegar, mas da outra vez que fui, desci num ponto que ela disse ser mais afastado, e me passou um local mais próximo para descer. Mas o Mochila De Criança me acompanhou na viagem e eu desci no lugar errado, provavelmente depois de onde deveria, e fiquei rodando pelo bairro arrastando uma mala de quase 20kg e uma mochila, à noite.

Era um bairro residencial e não tinha onde ir pedir informação. Encontrei uma mulher caminhando, pedi orientações e ela até me ofereceu seu celular, mas eu não sabia o número da Marquinhas de memória (e não fora esperta de anotar). Segui perdida pelo bairro, um tempo depois encontrei a mesma mulher voltando da caminhada, e novamente ela me ofereceu seu celular, coitada. Foi então que um senhor que passava de carro por ali e me avistou, parou e perguntou se eu estava perdida. Meio indecisa, pensei um pouco, e imaginei – de novo – que no Brasil eu jamais faria isso mas ali eu disse pro homem que sim, estava perdida procurando a casa de uma amiga. Ele disse que se eu tivesse o endereço me levaria até lá. Hesitei mas acabei indo, não sei o que seria pior afinal…

Foi a primeira vez que entrei num carro inglês, com o volante do lado direito, e sentei no banco do passageiro do lado esquerdo. É estranho! Mas o homem, muito generoso por sinal, me levou e deixou exatamente na porta da casa da Marquinhas. Deixei lá minhas coisas e segui novamente no pub onde passamos o Réveillon, e essa noite, com certeza, foi a mais louca da viagem toda. Bebi a noite toda no pub, e embora só conhecesse a Marquinhas e uma amiga dela, o pessoal todo era muito divertido e me tratavam muito bem. Em um dado momento, eles disseram que eu precisava tomar uma cerveja com eles em um lugar ali por perto e me levaram a uma espécie de balada que ficava na mesma rua. Eu sei que nessa noite bebi muito, conversei com um monte de gente desconhecida, e foi tudo incrível!

No final da noite, acabamos demorando mais que o esperado para ir embora de lá. Isso porque aconteceu um problema com um cara que se machucou e estava sangrando, a polícia apareceu lá e tomou depoimentos de algumas pessoas, enfim, creio que acabamos saindo mais de 4 da manhã sendo que tínhamos voo para pegar no dia seguinte. Foi cansativo e dormimos mal, mas no dia 4 de janeiro, saímos às 9 da manhã rumo ao aeroporto de Stansted, para pegar o voo para a próxima parada da nossa eurotrip: Barcelona!

Aparentemente estava tudo bem, iríamos seguindo a rota de um app que a Marquinhas sempre usava, que indicava que em 2 horas chegaríamos no aeroporto, após alguns ônibus e linhas de metrô. Preferimos fazer isso pois aparentemente era a forma mais barata de se chegar ao aeroporto, que é um dos mais distantes de Londres.

Pois bem, tomamos todos os transportes indicados, e por volta das 11 horas descemos do ultimo ônibus. O problema é que o lugar onde estávamos não tinha a mínima cara de aeroporto, parecia mais uma região industrial. Se bem me lembro, 11h30 era a hora que deveríamos estar no aeroporto, mas o Água De Salsicha havia se convidado para a viagem também. Estávamos com um problema.

Uma mulher passava por ali com seu cachorro, a paramos para pedir informação e ela pareceu meio preocupada ao informar que estávamos de fato muito longe do aeroporto de Stansted, e que para chegar lá, de carro, levaríamos pelo menos uns 40 minutos. Desespero total agora. Não tínhamos quarenta minutos, nem um carro, e não parecia que seria fácil conseguir um táxi. A mulher, então, muito compadecida da nossa situação, se ofereceu para nos levar em seu carro até o aeroporto. Ela morava ali naquela rua mesmo. Era a segunda vez nessa viagem que eu estaria pegando carona com um estranho, mas novamente, parecia ser a melhor opção e valeria a tentativa. Tudo correu bem, ela era uma boa pessoa realmente, da Turquia. Pagamos o custo da viagem e seguimos para os procedimentos de aeroportos.

Chegando no balcão, a moça nos informou que o despacho de bagagens já havia encerrado… Acabamos passando um pouco da hora, por causa dos atrasos. Aí começava a parte mais tensa da viagem toda. Ela nos orientou a tentar embarcar com as malas como bagagem de mão, o que nos parecia impossível mesmo naquela época, mas decidimos tentar. O aeroporto estava caótico, lotado, filas imensas para tudo, e não sabíamos o que estava acontecendo. Conseguimos, depois de muito tempo passar pela segurança, já na incerteza se daria tempo de pegar o voo. Mas na hora de passar pelo Raio X com as bagagens, é claro que fomos barradas devido ao tamanho das mesmas, o funcionário inclusive nos disse naturalmente para deixá-las ali e seguir viagem. Voltamos para trás já cientes de que perdêramos o voo. Bateu uma tristeza imensa, principalmente porque para conseguir novas passagens pagaríamos uma fortuna, em libras, e estaríamos sujeitas a disponibilidade ainda.

Começamos a tentar comprar as passagens pelo celular, mas a Internet não ajudava; a Marquinhas pedia ajuda para alguém comprar pra nós, mas poucos dos nossos amigos sabiam (é complicado fazer isso pra outra pessoa); tentamos usar uma espécie de  LAN house do aeroporto onde pagava-se uma fortuna por 10 minutos de Internet e o único navegador disponível era o Internet Explorer – que inclusive é um bom nome do Capeta – e claro que não deu certo; no balcão, nos diziam para comprar pela Internet. Estávamos perdidas.

Em um dado momento, sentamos no chão do aeroporto, que ainda estava uma bagunça, e lá ficamos em silêncio, as duas, por um tempo, pensando no desastre que estava sendo aquele dia.
Resolvi sair pelo aeroporto buscando informações, alguma orientação de como poderíamos proceder. Os funcionários lá eram bem grosseiros e nada dispostos a ajudar. Percebi então uma movimentação no balcão na Ryanair (companhia com a qual viajaríamos) para remarcar voos, e fiquei observando aquilo… Descobri que havia acontecido algo que fez com que várias pessoas perdessem seus voos, e a Ryanair os estava remarcando.

Chamei a Marquinhas e entramos na fila, enquanto tentei conseguir mais informações. Havia um casal de idosos espanhóis tentando também ir para Barcelona, e tive a segunda oportunidade de exercitar meu espanhol até então, obtendo com eles informações sobre aquela bagunça toda. A senhora me informou que de manhã havia sido deixada uma mala em algum lugar do aeroporto, e como o dono não foi localizado, o caos se instalou. Muitos voos atrasaram, outros saíram sem que todos os passageiros conseguissem embarcar, e a fila imensa que estava no balcão da Ryanair era para encaixar os passageiros prejudicados em outros voos. Então no fim das contas, apesar de perder o dia todo naquele aeroporto, conseguimos outro voo sem precisar pagar nada. Nessa hora foi um alívio não termos conseguido comprar outra passagem! O casal de espanhóis não falava inglês e estava com dificuldades para conseguir remarcar seu voo, pois os funcionários ali, relembrando, não eram nada gentis. Pedimos para que passassem com a gente então no balcão, e conseguimos remarcar todos os voos de uma vez. Eles ficaram muito gratos a nós e nos agradeceram infinitas vezes, foi muito legal.

O voo saiu só à noite, acabamos perdendo aquele dia da viagem, mas no fim deu tudo certo!

E assim se encerrou minha estadia na tão querida Londres, com emoção do início ao fim. O restante da viagem foi bemmmm mais tranquilo e guardo todas essas memórias com muito carinho.

Finalizo agradecendo caso a história tenha sido escolhida, e parabenizando todos vocês pelo trabalho maravilhoso que fazem! Meu domingo hoje em dia é mais feliz por causa de vocês, muuuito obrigada e beijos a todos!

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