Enviado Por:Camilla Fernandes

E nem Foi Tão Ruim Assim

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Meu nome é Camilla, tenho 24 anos, sou carioca e estudante de Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ e estudante do curso de doulas da Fiocruz. Ouço vocês há alguns anos e AMO o podcast, mas nunca mandei história. Hoje venho contar da série de decisões ruins que eu tomei no final de 2013 e como elas afetaram a minha vida nos anos seguintes. Pode mencionar os nomes porque quem mais passa vergonha nessa história sou eu mesma.

 

Prólogo – Terceirão

Em 2013, eu estava no 3º ano do ensino médio de um colégio federal tradicional aqui do Rio. Estudava de manhã – inclusive aos sábados – e à noite tinha pré-vestibular. Nesse cursinho, conheci a Geysa, que também queria fazer arquitetura e se tornou uma grande amiga.

Já tinha decidido por Arquitetura e Urbanismo, mas sinceramente, não estava muito confiante de que ia passar no ENEM. Sempre fui uma estudante marromeno, sempre ali na média e ficava de recuperação todo trimestre, quase repetindo todo ano. E Arq&Urb não é um curso fácil de passar, a nota de corte é alta. Além disso, o curso exige que você faça uma prova de habilidades específicas, onde você demonstra seus conhecimentos de desenho à mão livre.

Pois bem. Estudei o ano todo, meus pais pagaram meus cursinho e material. Eu vivi 2013 exausta, dormindo nas aulas na escola e no cursinho, que terminava tarde. Eu precisava passar no ENEM. Sabe aquele primo que alcançou sucesso na vida? Então. Eu tenho uns 4 desse. Engenheiras, oficiais da Marinha… Vários passaram pra universidades públicas. Minha família é de origem humilde, e a minha geração é a primeira a chegar no ensino superior. Ou seja, a pressão em mim era grande.

E eis que o ENEM chega…

 

A Prova de Resistência

Quando chegou o dia da prova, eu estava tranquila. No primeiro dia seriam as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza. No segundo, Matemática, Linguagens e Redação. Tinha dado o meu melhor nos estudos e, apesar de não ter muita certeza se ia passar, eu estava determinada a não ficar nervosa na hora da prova.

Fiz tudo direitinho: estava bem descansada e acordei cedo, tomei um bom café da manhã, separei meus lanches. Na hora de sair, todo mundo desejou boa sorte. Meu pai foi comigo pra dar apoio moral. Meu local de prova era na UERJ, não muito longe do bairro onde moro, na zona norte do Rio. Como todos sabem, os portões do ENEM abrem ao 12h e fecham às 13h, quando começa a prova. Depois disso, ninguém entra. Ia ser bem tranquilo chegar lá, pois tem dois ônibus que deixam bem em frente ao campus.

Saí de casa por volta de 9:30. Cerca de 15min depois , peguei o ônibus com o meu pai, feliz da vida que ia chegar cedo. Calculava que chegaria em 30-40 minutos. Em dado momento, quando chega em um cruzamento, o ônibus vira para a direita, em vez de virar para a esquerda, como eu esperava. “”ué, esse ônibus não vai pelo bairro X””?

Decisão errada nº 1: não conferi o trajeto do ônibus.

Perguntamos para alguém e a pessoa disse “”não, vai pelo bairro Y””. E falou que pro Maracanã, onde fica a UERJ, não é tão demorado assim. Ia dar tempo. Não deveria ser tão mais longe.

Decisão errada nº 2: não desci imediatamente do ônibus.

Não sabendo esse trajeto seja muito mais longo do que o outro, continuei no ônibus. O tempo foi passando, e o Maracanã não chegava. Higienópolis. Jacarezinho. Todos os Santos. Engenho de Dentro. Engenho Novo. Vila Isabel. Agora eu estava preocupada. Quando finalmente cheguei na Tijuca, o trânsito estava TODO parado. E foram TANTOS semáforos… Já era meio dia. Os portões se abriram.

O ônibus foi se arrastando pela Tijuca até a UERJ, e o horário do fechamento dos portões se aproximava.

Decisão errada nº 3: não desci do ônibus e tentei outro meio de chegar na prova.

Eu podia ver minha cara virando meme no Twitter. Eu ia entrar pro hall dos atrasados do ENEM. Vergonha pra minha família. Meu pai, nervoso, já reclamava que eu perderia a prova. Eu pensava se não dava pra descer e sair correndo, mas era tarde demais. Além disso, eu não conhecia o caminho até lá. Desespero.

13:10.

Desci do ônibus. Acho que cheguei atrasada demais até pra virar meme. Todo mundo já tinha ido embora. Do lado de dentro dos portões só ficaram familiares dos estudantes que começavam a fazer suas provas. Fora, alguns repórteres de emissoras de TV. Ainda tentaram me entrevistar, mas ESSA vergonha eu não passaria. Peguei o resto de dignidade que me restou e fui pro próximo ponto de ônibus, sem dar uma palavra nem verter uma lágrima. Acabou. Não tinha mais o que fazer.

Derrotada, cheguei em casa, para a surpresa da minha mãe e do meu irmão. Perguntaram o que tinha acontecido, e eu contei. Nem tiveram coragem de brigar comigo por não ter pesquisado melhor o transporte para a prova. A única coisa que eu poderia fazer era ir no dia seguinte – dessa vez no ônibus certo – e fazer as outras provas e a redação, como treinamento. No ano seguinte, tentaria de novo. Fazer o quê? É a vida.

Epílogo – Consequências

Fiquei chateada? Fiquei. Mas essa história foi a que me ensinou que tudo acontece como deve acontecer, e tudo deixa um aprendizado.

Uma semana depois do ENEM de 2013 aconteceu o Teste de Habilidades Específicas da FAU UFRJ, que eu fiz e passei, e cujo resultado tem validade de 3 anos. Ou seja, no ano seguinte eu não precisaria fazer de novo. Me formei no ensino médio e agora podia me dedicar apenas ao ENEM.

A minha nota do segundo dia de prova e da redação me rendeu desconto no pré-vestibular do ano seguinte. Nesse cursinho eu conheci dois dos meus melhores amigos, o Nilson e o Felipe que, junto com a Geysa – que também foi pra esse curso – formam meu grupo mais próximo de amigos.

Depois de mais um ano inteirinho estudando, fiz o ENEM de novo em 2014 e passei. Dessa vez não consegui fugir da repórter (eu tentei), e deixo aqui a entrevista rapidinha que dei (a partir de 0:30):

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/videos/t/rjtv-2-edicao/v/primeiro-dia-de-provas-do-enem-termina-tranquilo-para-a-maioria-dos-estudantes/3753062/

A lição que eu tiro, amigos, é que tudo é uma questão de timing. Mesmo que você cometa alguns erros bobos e quase vire meme dos atrasados do ENEM (que vamos combinar, era uma das coisas mais toscas da internet), tudo tem um motivo.

Nesse caso, a vida ainda me presenteou com coisas como:

– um trote-gincana que foi muito divertido;
– amigos maravilhosos na faculdade;
– meu primeiro namorado (que era da faculdade e conheci no primeiro período);
– meu segundo namorado (que conheci através de um amigo do pré-vest);
– projetos lindos da faculdade que eu não teria participado se tivesse entrado um período antes.

Escrevo esse e-mail enquanto produzo meu TCC, com muito orgulho. Obrigada por lerem até aqui, e obrigada pelo Gugacast. Abraço!

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